O artigo examina como a formação docente voltada à educação inclusiva vem sendo reconfigurada diante da expansão da inteligência artificial, dos grandes modelos de linguagem (Large Language Models) e das tecnologias assistivas digitais. Por meio de revisão bibliográfica de caráter analítico, conduzida em bases Scopus, Web of Science, SciELO e Portal de Periódicos da Capes entre agosto e outubro de 2025, o estudo articula produção nacional e internacional dos últimos cinco anos com autores clássicos do campo da formação docente e da educação inclusiva, complementada por documentos institucionais da UNESCO e dados da pesquisa TIC Educação 2024. A análise discute as competências profissionais exigidas do professor contemporâneo, a centralidade da mediação pedagógica em contextos tecnologicamente mediados e as tensões entre inovação digital e compromissos ético-políticos da inclusão. Sustenta-se que a incorporação de sistemas inteligentes à prática pedagógica demanda letramento crítico, formação continuada robusta e discernimento ético, sob pena de reduzir a inclusão a adaptações técnicas desconectadas de projetos educativos emancipatórios. Argumenta-se que a inteligência artificial amplia possibilidades de personalização, acessibilidade e diferenciação pedagógica, mas seu potencial inclusivo depende de professores intelectualmente preparados para interpretar singularidades, problematizar vieses algorítmicos e sustentar a dimensão relacional da docência. Conclui-se que a formação de professores, em sua dupla dimensão inicial e continuada, constitui eixo estruturante para que as tecnologias emergentes fortaleçam práticas inclusivas comprometidas com a justiça educacional.