A desigualdade socioambiental no Brasil revela padrões estruturais de injustiça que atingem de forma mais severa mulheres negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas. Este artigo analisa, sob uma perspectiva interseccional e ecofeminista, como a degradação ambiental, o racismo ambiental e a insegurança alimentar operam conjuntamente na produção de vulnerabilidades que combinam gênero, raça, classe e território. A pesquisa adota abordagem qualitativa, com análise documental e revisão bibliográfica, análises de dados sobre desigualdade ambiental, insegurança alimentar, conflitos territoriais e impactos climáticos. Os resultados demonstram que a contaminação hídrica, a poluição industrial, o avanço do agronegócio e os deslocamentos forçados recaem de maneira desproporcional sobre mulheres racializadas, comprometendo sua saúde, autonomia econômica e soberania alimentar. Ao mesmo tempo, constata-se que essas mulheres são protagonistas de práticas agroecológicas, preservação de sementes crioulas, mobilização comunitária e defesa jurídica dos territórios, configurando formas de resistência e cuidado ambiental. Conclui-se que a superação das injustiças socioambientais no país exige políticas públicas interseccionais que reconheçam o papel central dessas mulheres na sustentabilidade dos ecossistemas e na proteção da vida. Por fim, o ecofeminismo surge como horizonte teórico e político capaz de orientar práticas mais éticas, inclusivas e sustentáveis para o enfrentamento da crise socioambiental brasileira.
Socio-environmental inequality in Brazil reveals structural patterns of injustice that disproportionately affect Black, Indigenous, Quilombola, riverine, and peripheral women. This article analyzes, from an intersectional and ecofeminist perspective, how environmental degradation, environmental racism, and food insecurity operate conjointly to produce vulnerabilities combining gender, race, class, and territory. The research employs a qualitative approach, encompassing documentary analysis, a literature review, and data analysis regarding environmental inequality, food insecurity, territorial conflicts, and climate impacts. The results demonstrate that water contamination, industrial pollution, the expansion of agribusiness, and forced displacements impact racialized women disproportionately, compromising their health, economic autonomy, and food sovereignty. Simultaneously, it is observed that these women act as protagonists in agroecological practices, the preservation of heirloom seeds, community mobilization, and the legal defense of territories, constituting forms of resistance and environmental care. It is concluded that overcoming socio-environmental injustices in the country requires intersectional public policies that recognize the pivotal role of these women in ecosystem sustainability and the protection of life. Ultimately, ecofeminism emerges as a theoretical and political horizon capable of guiding more ethical, inclusive, and sustainable practices for addressing the Brazilian socio-environmental crisis.