A Inteligência Artificial vem se consolidando como tecnologia capaz de reconfigurar rotinas administrativas, processos decisórios e práticas de acompanhamento pedagógico na escola. Contudo, sua incorporação na gestão educacional não é neutra nem inevitavelmente benéfica, pois envolve escolhas institucionais relativas à governança de dados, à transparência algorítmica, à proteção da privacidade, à equidade e à responsabilidade humana em contextos educacionais marcados por desigualdades estruturais e pressões por desempenho. Nesse cenário, o problema central consiste em compreender como integrar a Inteligência Artificial à gestão escolar sem que sua utilização produza formas tecnicistas de controle ou fragilize os princípios democráticos que orientam a educação. Este artigo, de natureza qualitativa e bibliográfica, desenvolve uma revisão narrativa crítica sobre Inteligência Artificial e gestão escolar, articulando contribuições de autores brasileiros contemporâneos do campo da educação e da cultura digital e dialogando com evidências e recomendações do debate educacional brasileiro recente. Sustenta-se que a liderança escolar, para além da adoção instrumental de ferramentas tecnológicas, precisa assumir uma perspectiva de gestão democrático-participativa, orientada por evidências e comprometida com a ética digital, garantindo que a tecnologia permaneça subordinada às finalidades pedagógicas da escola e ao seu valor público. Como resultado da análise, propõe-se um Modelo de Governança para Inteligência Artificial na Gestão Escolar (MGI-GE), estruturado em seis dimensões interdependentes: finalidade pedagógica e valor público; proteção de dados e segurança informacional; transparência e explicabilidade algorítmica; equidade e inclusão educacional; formação profissional e cultura institucional; monitoramento, auditoria e responsabilização pública. Conclui-se que a Inteligência Artificial pode apoiar a gestão escolar quando incorporada a políticas institucionais claras, sustentadas pela participação da comunidade educativa e por processos contínuos de avaliação e supervisão humana, preservando a centralidade do trabalho docente e da mediação pedagógica. Nessas condições, a inovação digital pode contribuir para fortalecer a aprendizagem, a gestão humanizada e a justiça educacional, evitando que a tecnologia se converta em mecanismo opaco de controle ou em vetor de ampliação das desigualdades educacionais.