Introdução: A epigenética compreende mecanismos capazes de regular a expressão gênica sem alterar a sequência do DNA, sendo influenciada por fatores ambientais e emocionais. Referencial Teórico: Nesse contexto, a ansiedade, especialmente quando associada ao estresse crônico, vem sendo investigada por sua capacidade de induzir alterações epigenéticas relacionadas ao funcionamento do sistema nervoso central e à regulação neuroendócrina. Objetivo: analisar os impactos da ansiedade sobre mecanismos epigenéticos e suas implicações para a saúde mental, por meio de uma revisão narrativa da literatura. Metodologia: a pesquisa foi realizada na base de dados PubMed, utilizando descritores relacionados à epigenética, ansiedade, estresse, metilação do DNA e expressão gênica. Foram incluídos estudos publicados entre 2000 e 2026 que abordassem a relação entre ansiedade e alterações epigenéticas. Resultados e Discussão: Os achados demonstraram associação entre estados ansiosos e alterações epigenéticas, especialmente metilação do DNA e modificações em histonas, envolvendo genes relacionados ao eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, à neuroplasticidade e à resposta ao estresse. Essas alterações podem influenciar funções cognitivas, emocionais e comportamentais, além de contribuir para maior vulnerabilidade a transtornos psiquiátricos. Evidências também sugerem possível transmissão intergeracional parcial dessas modificações. Conclusão: a ansiedade exerce influência relevante sobre a modulação epigenética, devendo ser compreendida dentro de um modelo multifatorial que integra fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais. A compreensão desses mecanismos pode ampliar perspectivas terapêuticas e preventivas no campo da saúde mental.