IMPLANTAÇÃO DAS EQUIPES DE SAÚDE BUCAL NO BRASIL (2002–2020): ASSOCIAÇÃO COM INDICADORES SOCIOECONÔMICOS

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ISSN: 1982-114X
Editor Chefe: Dr. Gilberto Alves
Início Publicação: 31/01/1997
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Ciências da Saúde

IMPLANTAÇÃO DAS EQUIPES DE SAÚDE BUCAL NO BRASIL (2002–2020): ASSOCIAÇÃO COM INDICADORES SOCIOECONÔMICOS

Ano: 2026 | Volume: 30 | Número: 3
Autores: Muriel Pezzini, Maria Lucia Frizon Rizzotto, Maurício Bedim dos Santos
Autor Correspondente: Muriel Pezzini | muriel_pezzini@hotmail.com

Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde, Desigualdades de saúde, Política de Saúde, Saúde Pública, Serviços de Saúde Bucal, Dental Health Services, Health Inequities, Health Policy, Primary Health Care, Public Health, Atención Primaria de Salud, Inequidades en Salud, Po

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O objetivo do estudo foi analisar a implantação das Equipes de Saúde Bucal (eSB) modalidades I e II nos estados brasileiros, em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Gini e ao tamanho populacional, no período de 2002 a 2020. Trata-se de um estudo ecológico, retrospectivo e longitudinal, com análise de dados secundários, coletados na base de dados do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, IBGE e e-Gestor AB. Foi realizada análise espacial descritiva e, para investigar a associação com os indicadores socioeconômicos, ajustaram-se modelos lineares mistos com efeitos aleatórios. As análises foram conduzidas no software R, utilizando os pacotes lme4 e lmerTest, com nível de significância de 5%. A modalidade I apresentou crescimento expressivo ao longo do período analisado, enquanto a modalidade II teve uma expansão mais modesta. Apenas a associação entre a modalidade I e o IDH foi estatisticamente significativa (β = 6,44; p = 0,0359), indicando que o aumento de uma unidade no IDH está associado a um acréscimo de 6,44 unidades na taxa de cobertura da modalidade I, considerando as variações entre os estados e os anos. As regiões Sul e Sudeste apresentaram, majoritariamente, combinações de alto IDH com coberturas médias ou altas de eSB mod. I, indicando uma associação positiva entre o nível de desenvolvimento humano e a oferta dos serviços. O Nordeste, apesar de abrigar diversos estados com baixo IDH, revelou casos como Maranhão e Piauí com elevada cobertura de eSB, sugerindo a atuação de políticas compensatórias. Já no Norte, predominou a combinação de baixo IDH com coberturas baixa ou média de eSB mod. I, refletindo maiores desafios em termos de desenvolvimento e acesso aos serviços. O estudo reforça a expansão dos serviços com a Política Nacional de Saúde Bucal e destaca a necessidade de promover equidade na oferta, especialmente em contextos de vulnerabilidade.



Resumo Inglês:

The aim of this study was to analyze the implementation of Oral Health Teams (eSB), types I and II, in Brazilian states, in relation to the Human Development Index (HDI), the Gini coefficient, and population size, from 2002 to 2020. This is an ecological, retrospective, and longitudinal study using secondary data, collected from de Humam Development Atlas in Brazil, IBGE and e-Gestor AB database. A descriptive spatial analysis was conducted, and to investigate the association with socioeconomic indicators, linear mixed-effects models with random effects were fitted. Analyses were performed using R software, with the lme4 and lmerTest packages, adopting a 5% significance level. Type I teams showed significant growth over the study period, while type II expanded more modestly. Only the association between type I teams and HDI was statistically significant (β = 6.44; p = 0.0359), indicating that a one-unit increase in HDI is associated with a 6.44-unit increase in the coverage rate of type I teams, controlling for state and year-level variation. The South and Southeast regions predominantly showed combinations of high HDI with medium or high coverage of type I eSB, suggesting a positive association between human development levels and service availability. In the Northeast, although most states had low HDI, some such as Maranhão and Piauí showed high eSB coverage, suggesting the presence of compensatory policies. In the North, low HDI combined with low or medium eSB coverage was predominant, reflecting greater challenges in terms of development and access to oral health services. The study reinforces the expansion of oral health services under the National Oral Health Policy and highlights the need to promote equity in service provision, especially in vulnerable contexts.



Resumo Espanhol:

El objetivo del estudio fue analizar la implementación de los Equipos de Salud Bucal (eSB), modalidades I y II, en los estados brasileños, en relación con el Índice de Desarrollo Humano (IDH), el coeficiente de Gini y el tamaño poblacional, en el período de 2002 a 2020. Se trata de un estudio ecológico, retrospectivo y longitudinal, con análisis de datos secundários, recopilado de la base de datos Atlas Desarrollo Humano de Brasil, IBGE y e-Gestor AB. Se realizó un análisis espacial descriptivo y, para investigar la asociación con los indicadores socioeconómicos, se ajustaron modelos lineales mixtos con efectos aleatorios. Los análisis se realizaron en el software R, utilizando los paquetes lme4 y lmerTest, con un nivel de significancia del 5%. La modalidad I presentó un crecimiento significativo a lo largo del período analizado, mientras que la modalidad II mostró una expansión más modesta. Solo la asociación entre la modalidad I y el IDH fue estadísticamente significativa (β = 6,44; p = 0,0359), lo que indica que un aumento de una unidad en el IDH se asocia con un incremento de 6,44 unidades en la tasa de cobertura de la modalidad I, considerando las variaciones entre los estados y los años. Las regiones Sur y Sudeste presentaron, en su mayoría, combinaciones de alto IDH con coberturas medias o altas de eSB modalidad I, lo que sugiere una asociación positiva entre el nivel de desarrollo humano y la oferta de servicios. En el Nordeste, a pesar de la prevalencia de estados con bajo IDH, se observaron excepciones como Maranhão y Piauí, con alta cobertura, lo que sugiere la existencia de políticas compensatorias. En el Norte, predominó la combinación de bajo IDH con coberturas baja o media, reflejando mayores desafíos en términos de desarrollo y acceso. El estudio refuerza la expansión de los servicios a través de la Política Nacional de Salud Bucal y destaca la necesidad de promover la equidad en la oferta, especialmente en contextos de vulnerabilidad.