O tráfico de animais silvestres constitui um dos principais vetores de perda de biodiversidade, comprometendo processos ecológicos essenciais e evidenciando fragilidades estruturais nas políticas ambientais, especialmente em biomas historicamente marginalizados, como a Caatinga. Único bioma exclusivamente brasileiro, apresenta elevada biodiversidade e significativo grau de endemismo, ao mesmo tempo em que enfrenta persistentes processos de degradação ambiental e vulnerabilidade socioeconômica. Este estudo tem como objetivo analisar a atuação do Instituto Socioambiental da Serra Grande (ISASG), localizado em Serra Talhada (PE), como experiência territorializada de integração entre conservação ambiental da fauna e da flora, enfrentamento indireto ao tráfico de animais silvestres, desenvolvimento sustentável e inclusão social no Semiárido brasileiro. Adota-se abordagem qualitativa, de caráter descritivo e analítico, fundamentada em revisão bibliográfica, análise documental e sistematização de informações institucionais. Os resultados demonstram que o ISASG realiza a gestão de Área de Soltura de Animais Silvestres (ASAS) e Área de Soltura e Monitoramento de Fauna Silvestre (ASMFS), tendo reintroduzido, entre 2021 e 2026, 1.641 indivíduos, sendo 1.244 aves, 389 répteis e 8 mamíferos. Destacam-se ainda ações de reflorestamento com espécies nativas, articulação com instituições públicas e acadêmicas e fortalecimento de iniciativas produtivas, como a elaboração de geleias, compotas e doces protagonizadas por mulheres do campo, configurando estratégia integrada de recuperação ecológica e desenvolvimento territorial. Conclui-se que a experiência analisada contribui para a conservação da biodiversidade da Caatinga e evidencia que a efetividade das políticas ambientais no Semiárido depende da articulação entre justiça social, saberes locais, soberania alimentar, equidade de gênero e participação comunitária.