A incorporação da Inteligência Artificial (IA) ao ensino de arquitetura tem provocado transformações significativas nos métodos projetuais, nas estruturas curriculares e nas competências exigidas de estudantes e docentes. Este estudo tem como objetivo comparar a adoção e a integração pedagógica da IA em instituições brasileiras e estrangeiras, identificando convergências, disparidades e oportunidades estratégicas para a formação arquitetônica contemporânea. A pesquisa adota abordagem qualitativa comparativa, envolvendo análise documental de matrizes curriculares, e avaliação de portfólios digitais produzidos com apoio de sistemas generativos. Os resultados indicam que instituições internacionais apresentam níveis mais avançados de integração, com IA incorporada de forma sistêmica a estudos de projeto, disciplinas de ciência de dados aplicada, laboratórios de fabricação digital e módulos de ética algorítmica. No Brasil, a adoção ocorre de forma fragmentada, concentrada em iniciativas isoladas e com forte dependência do interesse individual de docentes, apresentando limitações em infraestrutura, formação técnica e políticas institucionais de inovação. Apesar das diferenças estruturais, identificam‑se avanços promissores em universidades brasileiras que articulam IA, BIM e design paramétrico em experiências experimentais. A análise discute ainda impactos epistemológicos da IA sobre autoria, criatividade e processos decisórios no design arquitetônico, evidenciando a emergência de uma coautoria híbrida entre humanos e sistemas generativos. Conclui‑se que a consolidação da IA na educação arquitetônica brasileira depende de diretrizes curriculares claras, investimentos estruturais e programas permanentes de formação docente, alinhando o país às tendências internacionais e ampliando a competitividade acadêmica e profissional.