A inteligência artificial passou a ocupar lugar relevante nas discussões educacionais contemporâneas, especialmente pela expansão de sistemas generativos, plataformas adaptativas, tutores inteligentes, corretores automatizados, simuladores e ambientes digitais capazes de reorganizar as formas de ensinar, aprender e avaliar. Este artigo tem como objetivo analisar como a inteligência artificial pode contribuir para o ensino de Matemática como ferramenta e recurso pedagógico, sem substituir a mediação docente nem prejudicar a aprendizagem, o raciocínio lógico, a autonomia intelectual e o desenvolvimento cognitivo dos estudantes. Parte-se do entendimento de que a Matemática escolar não se reduz ao domínio mecânico de procedimentos, pois envolve resolução de problemas, argumentação, representação, abstração, comunicação, elaboração de estratégias e construção progressiva de significados. Nesse sentido, a inteligência artificial pode favorecer a personalização de percursos, a produção de feedbacks, a criação de situações-problema, a visualização de conceitos, a análise de erros e o apoio à inclusão, desde que seu uso seja intencional, ético, contextualizado e pedagogicamente supervisionado. A reflexão mobiliza a BNCC, documentos internacionais sobre inteligência artificial na educação, estudos sobre tecnologias digitais, educação matemática e teorias do desenvolvimento, articulando o debate às diferentes modalidades da Educação Básica, da Educação Especial, da Educação de Jovens e Adultos e de contextos presenciais, híbridos e digitais. Conclui-se que a inteligência artificial pode ampliar possibilidades didáticas, mas somente será formativa quando subordinada a objetivos educacionais claros, à proteção de dados, à equidade, à transparência algorítmica, ao pensamento crítico e à centralidade do professor.