A internacionalização da ciência e da educação superior tem sido apresentada como condição necessária para o avanço científico, tecnológico e institucional. Contudo, estudos recentes no campo Ciência-Tecnologia-Sociedade (CTS) e das Epistemologias do Sul demonstram que tal processo é atravessado por assimetrias históricas e geopolíticas que configuram a circulação desigual de saberes, tecnologias e práticas científicas. Este trabalho, fundamentado em pesquisa bibliográfica, analisa como a internacionalização é marcada por relações de poder que reforçam a colonialidade do saber. Além de problematizar o discurso hegemônico da neutralidade científica, o estudo evidencia que a produção de conhecimento é socialmente situada, politicamente condicionada e profundamente hierarquizada entre Norte e Sul globais. Conclui-se que a reconstrução de uma ciência mais justa requer a valorização dos saberes periféricos, a ampliação das redes de cooperação Sul-Sul e a promoção de ecologias de saberes que rompam com a lógica de dependência acadêmica.