A Educação Básica brasileira tem sido desafiada a enfrentar desigualdades historicamente produzidas por relações de poder que articulam raça, gênero e classe social. Nesse contexto, a interseccionalidade, conceito desenvolvido por Kimberlé Crenshaw e aprofundado por autoras do feminismo negro, constitui uma importante ferramenta teórico-metodológica para compreender as múltiplas formas de opressão que atravessam as experiências dos sujeitos no espaço escolar. Este artigo tem como objetivo analisar as contribuições do feminismo negro para a construção de uma pedagogia interseccional na Educação Básica. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter bibliográfico, fundamentada na revisão de literatura de obras e produções acadêmicas de autoras negras e feministas, entre as quais se destacam Kimberlé Crenshaw, Patricia Hill Collins, bell hooks, Angela Davis, Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Carla Akotirene e Nilma Lino Gomes. A análise evidencia que a perspectiva interseccional possibilitacompreender de maneira mais ampla os processos de exclusão, silenciamento e desigualdade presentes no contexto educacional, ao mesmo tempo em que contribui para a formulação de práticas pedagógicas comprometidas com a equidade, a valorização da diversidade e a justiça social. Conclui-se que o feminismo negro oferece aportes teóricos e políticos fundamentais para a construção de uma educação crítica, antirracista e inclusiva, capaz de reconhecer a pluralidade das experiências dos estudantes e promover transformações nas práticas educativas e curriculares.