A urbanização crescente tem gerado impactos ambientais, e os liquens destacam-se como bioindicadores sensíveis e tolerantes dessas mudanças, embora ainda sejam pouco estudados em regiões tropicais. Nesse contexto, a ciência cidadã, associada ao uso de plataformas como o iNaturalist, tem ampliado a coleta de dados sobre biodiversidade, apesar de limitações quanto à confiabilidade das identificações. Este estudo realizou um levantamento da biota liquênica utilizando o aplicativo iNaturalist com a contribuição de cidadãos cientistas participantes do Projeto Liquens GO! em São Luís (MA) e validação a partir de análises morfológicas e químicas realizadas em laboratório. Os voluntários registraram 105 espécimes liquênicos, com maior abundância na APA do Itapiracó (P2), que também apresentou maior diversidade taxonômica e morfológica em comparação ao Campus da UFMA (P1), onde predominaram espécies típicas de ambientes urbanos, especialmente das famílias Parmeliaceae e Physciaceae. As análises evidenciaram a influência de fatores ambientais, como efeito de borda, cobertura vegetal e incidência solar, na distribuição dos táxons, além de dificuldades na identificação em campo. A validação laboratorial revelou inconsistências nas identificações sugeridas pela IA. O iNaturalist foi eficaz no registro e engajamento em estudos de diversidade liquênica, mas apresentou limitações. O estudo reforça a necessidade de validação especializada e ampliação de levantamentos para melhorar a qualidade dos dados e o conhecimento sobre liquens.