O presente artigo analisa a mediação docente e a organização do ambiente como dispositivos estruturantes da autonomia e do desenvolvimento neuropsicomotor em bebês de 0 a 2 anos, fundamentando-se nas contribuições teóricas de Emmi Pikler, na abordagem pedagógica de Reggio Emilia e na teoria histórico-cultural, articuladas aos conhecimentos da neurociência do desenvolvimento. Trata-se de pesquisa qualitativa de natureza bibliográfica. Parte-se do pressuposto de que o desenvolvimento neuropsicomotor não resulta de intervenções diretivas, mas da interação entre maturação biológica, experiência motora autônoma e qualidade das relações estabelecidas com o adulto e com o ambiente. Evidencia-se que a previsibilidade relacional e a liberdade de movimento favorecem a organização do sistema nervoso, contribuindo para a construção da segurança corporal e emocional. A dimensão afetiva da mediação docente, a intencionalidade pedagógica na organização do espaço e o respeito ao tempo singular de cada bebê constituem pilares de uma prática educativa que reconhece a criança como sujeito de direitos e protagonista de seu próprio desenvolvimento. Conclui-se que a autonomia emerge como resultado de contextos pedagógicos que respeitam o tempo da criança, organizam o ambiente de forma intencional e sustentam relações estáveis, constituindo base para o desenvolvimento integral.