O artigo analisou o terrorismo na Província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Objetivou compreender o conflito, examinar os processos de radicalização de jovens e, verificar as causas a partir de tipologias e categorias de análise. Usou a metodologia qualitativa, combinada com a revisão bibliográfica e pesquisa documental. Mobilizou teorias do conflito: choque de civilizações de Huntington, privação relativa de Ted Gurr e novas guerras de Mary Kaldor. Por que razão Moçambique se tornou o mais novo epicentro do extremismo religioso violento e do terrorismo na África Subsahariana? Três tipos de perspectivas – doméstica, internacional e a maldição de recursos – explicam as causas do conflito. Ao lado de questões religiosas, a disputa por recursos naturais e minerais constituem razões do conflito, que mudou a política doméstica e externa do país, aproximando o Governo de regimes autoritários e ditatoriais de África e da Europa. Diante da ineficácia das forças de defesa e segurança nacionais, o Estado internacionalizou o conflito autorizando a entrada de corporações militares privadas e exércitos estrangeiros, militarizando e criando uma salada de intervenções no país.
The article analyzed terrorism in Cabo Delgado Province, in northern Mozambique. It aimed to understand the conflict, examine the processes of radicalization of young people and verify the causes using typologies and categories of analysis. It used qualitative methodology, combined with a literature review and documentary research. It mobilized conflict theories: Huntington's clash of civilizations, Ted Gurr's relative deprivation and Mary Kaldor's new wars. Why has Mozambique become the newest epicenter of violent religious extremism and terrorism in sub-Saharan Africa? Three types of perspectives — domestic, international and the resource curse — explain the causes of the conflict. Alongside religious issues, the dispute over natural and mineral resources are the reasons for the conflict, which has changed the country's domestic and foreign policy, bringing the government closer to authoritarian and dictatorial regimes in Africa and Europe. Faced with the ineffectiveness of the national defence and security forces, the state internationalized the conflict by authorizing the entry of private military corporations and foreign armies, militarizing and creating a salad of interventions in the country.