O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é um distúrbio psiquiátrico multifacetado, caracterizado por sintomas persistentes após a exposição a eventos traumáti-cos. Sua prevalência é elevada em contextos militares, onde a vivência de situações de ris-co extremo potencializa a vulnerabilidade ao transtorno. Este artigo de revisão discute os avanços e desafios nos modelos animais utilizados para investigar os mecanismos neuro-biológicos do TEPT, com ênfase nas implicações militares. Destacam-se disfunções no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, alterações no sistema renina-angiotensina-aldosterona e respos-tas imunológicas desreguladas, que em conjunto revelam a complexidade da fisiopatologia. Modelos experimentais, baseados em estressores sociais, predatórios e físicos, têm contribuído para reproduzir sintomas análogos aos observados em humanos, embora apresentem limitações quanto à validade translacional. Abordagens recentes sugerem que a combinação de múltiplos estressores em protocolos imprevisíveis pode simular de forma mais fiel os traumas típicos de cenários de combate. Além disso, estudos apontam para a necessidade de incorporar variáveis genômicas, diferenças sexuais e análises de longo prazo para melhor compreender a gênese e a persistência dos sintomas. Assim, os modelos animais se consolidam como ferramentas indis-pensáveis para o avanço da neuropsiquiatria translacional, fornecendo subsídios relevantes para a compreensão do TEPT em populações militares.
Post-Traumatic Stress Disorder (PTSD) is a multifaceted psychiatric condition characterized by persistent symptoms following exposure to traumatic events. Its prevalence is particularly high in military contexts, where exposure to life-threatening situations increases vulnerability to the disorder. This review article discusses advances and challenges in animal models used to investigate the neurobiological mechanisms of PTSD, with emphasis on military implications. Dysfunctions in the hypothalamic-pituitary-adrenal axis, alterations in the renin-angiotensin-aldosterone system, and dysregulated immune responses stand out, collectively highlighting the complexity of its pathophysiology. Experimental models based on social, predator-related, and physical stressors have contributed to reproducing symptoms analogous to those observed in humans, although they present limitations in translational validity. Recent approaches suggest that combining multiple stressors in unpredictable protocols may more accurately simulate combat-related trauma. Furthermore, studies indicate the need to incorporate genomic variables, sex differences, and long-term analyses to better understand the genesis and persistence of symptoms. Thus, animal models are consolidated as indispensable tools for advancing translational neuropsychiatry, providing relevant insights into the understanding of PTSD in military populations.