Este artigo tem como objetivo demonstrar, através de uma análise linguístico-literária, que a linguagem usada na vertente lírica de luta da obra Caminhada (2015) de Ovídio Martins é, essencialmente, compromissiva e diretiva. Assim, por via da análise de composições poéticas do autor, concluiu-se que os mesmos se deixam, por um lado, guiar pelo comprometimento em relação a causas que nutrem os princípios de direitos universais (como a liberdade de expressão e a luta para a emancipação) e pela atenção dada às classes menos favorecidas materialmente. Por outro, verificou-se que há uma preocupação do autor em recorrer a uma linguística injuntiva espelhada numa postura de contestação e revolta, características de uma literatura engajada. Assim, o repúdio a situações mais injustas, perpetuadas pelo contexto de um regime opressivo do qual foi vítima o próprio autor, é de se destacar. Os atos verbais que enformam os versos são suportados por conteúdos proposicionais como ordem, conselho, pedido, aviso e advertência. Tais atos ancoram, por sua vez, em dispositivos linguísticos, a nível da superfície textual, como os modos imperativo e indicativo, o tempo futuro, os pronomes da segunda pessoa gramatical, as interrogativas diretas e as perguntas retóricas, enquanto forças ilocutórias ao serviço da intenção do autor.
This article aims to demonstrate, by the means of a linguistic - literary analysis, that the lyrical aspect of the language to describe the “struggle,”used by Ovidio Martins in Caminhada (2015), is comissive and directive. A thorough analysis of the author’s poetry leads us to the conclusion that his writing, on the one hand, is guided by the commitment to causes that nourish the principles of uni-versal rights (such as freedom of expression and the struggle for emancipation) and by the attention, given to classes with underprivileged economical status. On the other hand, there are obvious signs of the author’s appeals to an injunctive linguistics expressed by a posture of contestation and rebellion - featuring an engaged literature. The author uses the above mentioned techniques in order to express his disavowal of the most unfair situations perpetuated by the oppressive regime, of which the author himself was a victim. On the textual level, there is a burst of propositional contents, such as order, advice, request, warning and admonition. Such acts are supported by linguistic tools, namely the imperative and indicative modes, the future tense, the use of pronouns in the second person, direct and rhetorical questions - they all serve as illocutionary forces for the expression of the author’s intention