A intensificação do aquecimento global tem sido associada ao aumento das emissões de dióxido de carbono (CO₂), sendo a construção civil uma das principais responsáveis. A produção de cimento Portland contribui significativamente para essas emissões, o que tem motivado a busca por materiais alternativos de menor impacto ambiental. Entre esses materiais, destacam-se os geopolímeros, produzidos a partir da ativação alcalina de resíduos ricos em silício e alumínio, como a cinza volante e a metacaulinita, com possibilidade de incorporação de aditivos como o biochar. Este estudo avaliou o efeito da cura térmica e da cura carbônica sobre a resistência mecânica e a eflorescência de argamassas geopoliméricas com e sem biochar, utilizando dois traços distintos (REF-5 e BCA-6). Os corpos de prova foram submetidos a três condições de cura: ambiente, térmica e carbônica. Os resultados indicaram que a cura ambiente proporcionou os melhores desempenhos mecânicos (21,1 MPa para REF-5 e 19,3 MPa para BCA-6), enquanto as curas térmica e carbônica resultaram em valores inferiores. A adição de biochar mostrou-se benéfica nas idades iniciais (14 dias) e reduziu significativamente o acúmulo de sais superficiais, sugerindo menor suscetibilidade à eflorescência. Conclui-se que o uso de geopolímeros com biochar, sob cura ambiente, é uma alternativa sustentável viável ao cimento Portland, mas que as curas térmica e carbônica não trouxeram vantagens significativas quanto à resistência mecânica.