O artigo apresenta uma reflexão teórica e prática sobre o papel das linguagens artísticas no contexto do Berçário II, compreendendo a arte como experiência sensível e forma privilegiada de expressão do bebê. A investigação parte do entendimento de que, desde muito cedo, os bebês se comunicam por meio de gestos, sons, olhares, movimentos e manipulações de materiais, construindo modos próprios de significar o mundo. Fundamentado em autores como Loris Malaguzzi, Adriana Friedmann, John Dewey, Ana Mae Barbosa e Paulo Fochi, o estudo discute o gesto, o traço e o encontro como dimensões poéticas e comunicativas no processo de aprendizagem, evidenciando que a arte, para além de um produto final, é um percurso de sensações, descobertas e relações. Ao analisar situações de criação no cotidiano do Berçário II, o artigo ressalta que a experiência artística oferece aos bebês oportunidades de explorar texturas, cores, sons e movimentos, favorecendo a ampliação das percepções e o desenvolvimento da autonomia. A pesquisa também destaca que a mediação docente é fundamental para potencializar essas vivências, uma vez que o professor atua como organizador do ambiente, observador sensível e parceiro na construção das narrativas visuais e corporais dos pequenos. A criação de espaços estéticos — planejados, acessíveis e provocadores possibilita que os bebês investiguem materiais, construam hipóteses e expressem subjetividades, fortalecendo a relação entre arte, infância e cultura. Desse modo, o trabalho tem como objetivo valorizar o fazer artístico dos bebês e reafirmar a importância das práticas pedagógicas que reconhecem a potência criadora da primeira infância, contribuindo para uma educação sensível, ética e responsiva.