Este artigo analisa as múltiplas interpretações do patrimônio cultural na paisagem urbana de Juiz de Fora/MG a partir do estudo de caso do Palacete Fellet. Ao discutir conceitos de autores como Choay, Ingold, Olender e Borges, a pesquisa evidencia a tensão entre preservação institucional, interesses particulares e percepção coletiva. Este trabalho incorpora pesquisa com transeuntes à produção bibliográfica acerca da proteção do patrimônio cultural, revelando a baixa aderência da população ao bem tombado. Conclui-se que o tombamento, mesmo em ruínas, tornou-se símbolo da disputa entre interesses preservacionistas e a especulação imobiliária, reafirmando os desafios da patrimonialização em contextos onde a omissão dos agentes públicos e privados se sobrepõe às diretrizes normativas da preservação e aos afetos inerentes à relação entre o bem cultural e a comunidade na qual está inserido.