O PANSOMALISMO NA CONSTRUÇÃO E NA CRISE DO ESTADO SOMALI: INTEGRAÇÃO E IRREDENTISMO

Revista Brasileira de Estudos Africanos

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ISSN: 24483907
Editor Chefe: Analúcia Danilevicz Pereira
Início Publicação: 31/05/2016
Periodicidade: Bianual
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Ciências Sociais Aplicadas, Área de Estudo: Multidisciplinar

O PANSOMALISMO NA CONSTRUÇÃO E NA CRISE DO ESTADO SOMALI: INTEGRAÇÃO E IRREDENTISMO

Ano: 2025 | Volume: 10 | Número: 20
Autores: Rafaela Pinto Serpa
Autor Correspondente: Rafaela Pinto Serpa | rafaela.p.serpa@gmail.com

Palavras-chave: Somália, Pansomalismo, Construção do Estado na África

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo analisa o papel do pansomalismo como ideal e movimento na construção e na crise do Estado somali. Argumenta-se que o pansomalismo operou em duas dimensões simultâneas: como vetor interno de integração nacional e como projeto externo de reunificação territorial dos povos somalis no Chifre da África. A hipótese central sustenta que essa dupla função, inicialmente decisiva para a legitimação do Estado pós-colonial, converteu-se em fator de fragilização estrutural à medida que a agenda de integração interna foi subordinada ao Irredentismo. A partir de uma abordagem histórico-materialista, qualitativa e hipotético-dedutiva, organizada nos níveis nacional, regional e sistêmico, o artigo divide-se em três seções. Primeiramente, busca demonstrar como a Somália possuía, antes da independência, uma base identitária relativamente coesa, mas dividida em cinco territórios coloniais diferentes. Esses fatores acabaram influenciando para que os movimentos nacionalistas buscassem além da independência, uma unificação dos territórios. Nesse contexto, a unificação das Somalilândias Britânica e Italiana, em 1960, representou a realização inicial do projeto pansomalista, mas também inaugurou as tensões entre consolidação interna e projeção externa. Ao longo das décadas de 1960 e 1970, a priorização da agenda irredentista deslocou recursos e legitimidade do desenvolvimento estatal para a expansão territorial. A Guerra do Ogaden (1977–1978) condensou essas contradições ao expor os limites materiais do Estado somali diante dos constrangimentos regionais e sistêmicos da Guerra Fria.



Resumo Inglês:

This article analyses the role of pan-somalism as an ideal and movement in the construction and crisis of the Somali state. It argues that pan-somalism operated in two simultaneous dimensions: as an internal vector of national integration and as an external project of territorial reunification of the Somali peoples in the Horn of Africa. The central hypothesis maintains that this dual function, initially decisive for the legitimization of the post-colonial state, converted itself into a factor of structural fragilization insofar as the agenda of internal integration was subordinated to Irredentism. Based on a historical-materialist approach, qualitative and hypothetical-deductive, organized in national, regional and systemic levels, this article is divided into three sections. Firstly, it seeks to demonstrate how Somalia possessed, prior to independence, a relatively cohesive identitary base, but divided among five different colonial territories. These factors ended up influencing the nationalist movements to seek, besides independence, the unification of territories. In this context, the unification of the British and Italian Somalilands, in 1960, represented the initial execution of the pan-somali project, but also inaugurated tensions between internal consolidation and external projection. Throughout the 1960s and 1970s, the prioritization of the irredentist agenda diverted resources and legitimacy away from state development towards territorial expansion. The Ogaden War (1977–1978) condensed these contradictions by exposing the material limits of the Somali state in the face of the regional and systemic constraints of the Cold War.