Passados 136 anos do fim oficial do regime escravocrata no Brasil ainda nos deparamos com um racismo enraizado em nossa sociedade, camuflado por cordialidade e por uma suposta democracia racial. Porém, notícias de racismo, discriminação e falta de empatia podem ser vistos frequentemente na mídia. E mesmo a Lei 10.639/2003 que determina o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas, tem sido implementada de forma morosa e pouco abrangente, pois o currículo negligencia o letramento racial na educação básica brasileira. Desta forma, o presente trabalho parte dessas inquietações vivenciadas em sala de aula ao longo da trajetória das pesquisadoras e propõe algumas reflexões acerca da necessidade do letramento racial. O trabalho assenta-se sobre levantamento bibliográficos e vivências de sala de aula. Visa, assim, contribuir para a reflexão e prática de professores proporcionando-lhes algumas possibilidades de desenvolvimento do letramento racial e desconstrução de formas depensar e agir que foram naturalizadas ao longo do tempo, em relação às cores das pessoas.
136 years after the official end of the slave regime in Brazil, we are still faced with deep-rooted racism in our society, camouflaged by cordiality and a supposed racial democracy. However, news of racism, discrimination and lack of empathy can often be seen in the media. And even Law 10.639, which determines the teaching of Afro-Brazilian history and culture in schools, has been implemented in a slow and negligent manner, as the curriculum neglects racial literacy in Brazilian basic education. In this way, the present article starts from these concerns experienced in the classroom throughoutthe researchers' trajectory and proposes some reflections on the need for racial literacy. The paper is based on bibliographical research and classroom experiences. It thus aims to contribute to the reflection and practice of teachers, providing them withsome possibilities for developing racial literacy and deconstructing ways of thinking and acting that have been naturalized over time, in relation to people's colors.