O presente estudo analisa os desafios relacionados à superação das desigualdades de gênero no contexto escolar, com ênfase na relação entre trabalho docente, feminização do magistério e organização patriarcal da sociedade. Fundamentado nas contribuições de autores como Marisa Vorraber Costa e Michael W. Apple, o texto articula revisão teórica e reflexões baseadas em experiências no contexto de escolas públicas dos municípios de São Paulo e Diadema. Inicialmente, discute-se a distinção entre sexo e gênero, compreendendo este último como construção social e cultural que orienta papéis e comportamentos desde a infância. Em seguida, aborda-se o processo histórico de constituição da docência, destacando sua progressiva feminização e consequente desvalorização social e econômica, bem como a permanência de relações hierárquicas de poder que privilegiam o masculino nos espaços de gestão. O estudo evidencia, ainda, como práticas cotidianas no ambiente escolar reforçam estereótipos de gênero e reproduzem preconceitos, contribuindo para a manutenção de desigualdades, intolerâncias e discriminações. Por fim, conclui-se que a construção de uma educação democrática requer a problematização das relações de gênero, o enfrentamento de práticas sexistas e a implementação de políticas públicas de formação continuada, visando à promoção de uma escola comprometida com os direitos humanos, a equidade e o respeito à diversidade.