Com base nas lições mais básicas de economia e finanças, é comum dizer que indivíduos com grande liquidez na economia, os chamados agentes económicos superavitários, depositam dinheiro nos bancos comerciais e, em seguida, usam esses depósitos para conceder empréstimos aos seus clientes que necessitam de liquidez para realizar alguma actividade económica. É surpreendente constatar que, mesmo entre economistas, não há uma compreensão sobre a relação entre os depósitos dos agentes económicos junto aos bancos comercias e os empréstimos que os bancos comercias concedem ao público. Este artigo aspira aprimorar a compreensão dos leitores acerca do pensamento comum de diversos indivíduos na sociedade, independentemente de serem ou não economistas, não sendo uma condição necessária e suficiente de como funcionam os bancos e o processo de concessão de empréstimos na economia. Ou seja, levará ao leitor a perceber como a maioria do dinheiro que circula numa economia é criado por parte dos bancos comercias, sem resultar necessariamente de depósitos que clientes mantêm nos respectivos bancos comerciais. Dessa forma, incentivaremos os leitores a amadurecerem a ideia de como se cria dinheiro na economia e reduziremos o entendimento adquirido nos manuais tradicionais de economia de que os bancos comerciais são apenas intermediários que emprestam o dinheiro depositado para outros clientes que necessitam dele.