Este trabalho analisa os impactos do racismo no processo de identificação e acompanhamento de estudantes com Transtorno do Espectro Autista, considerando as relações entre desigualdade racial, inclusão escolar e acesso ao diagnóstico e ao suporte educacional. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter exploratório-descritivo, desenvolvida a partir da análise de produções científicas nacionais e internacionais publicadas entre 2020 e 2025, com ênfase em estudos sobre racismo estrutural, autismo, escolarização e interseccionalidade. O estudo teve como objetivo compreender de que maneira o racismo interfere no reconhecimento precoce do TEA, no encaminhamento institucional e no acompanhamento escolar de estudantes negros autistas. Os resultados da análise evidenciaram que o racismo atua como fator estrutural no atraso diagnóstico, na invisibilização das necessidades desses estudantes e na limitação do acesso a serviços especializados e estratégias pedagógicas adequadas. Verificou-se ainda que a escola, embora possa desempenhar papel fundamental na identificação de sinais do transtorno e na promoção da inclusão, também pode reproduzir práticas excludentes quando desconsidera as dimensões raciais presentes na experiência escolar. Além disso, observou-se que as famílias, especialmente as mães, frequentemente assumem papel central na garantia de direitos, diante da insuficiência de respostas institucionais. Conclui-se que a inclusão de estudantes negros com TEA exige uma perspectiva interseccional, capaz de articular educação, raça e deficiência, bem como o fortalecimento de políticas públicas, formação profissional e práticas pedagógicas comprometidas com a equidade e com a justiça social.