Paisagem em disputa: Vila Aparecida, patrimonialização e a fabricação da "desordem" em Ouro Preto

Revista Faces de Clio

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ISSN: 2359-4489
Editor Chefe: Giovana Martins Brito e Gabriel Benedito Machado
Início Publicação: 01/01/2015
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: História

Paisagem em disputa: Vila Aparecida, patrimonialização e a fabricação da "desordem" em Ouro Preto

Ano: 2025 | Volume: 12 | Número: 22
Autores: Gabriel Luz de Oliveira
Autor Correspondente: G. L. de Oliveira | luzgabriel@outlook.com.br

Palavras-chave: Ouro Preto, Vila Aparecida, paisagem urbana

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Resumo Português:

Este artigo analisa a Vila Aparecida, em Ouro Preto, transformada em símbolo de “desordem” urbana a partir de sua interferência na paisagem do sítio histórico tombado. Formada desde meados do século XX por concessões fundiárias, autoconstruções e fluxos migratórios, a Vila ganhou centralidade política em 2011, quando uma perícia do Ministério Público Federal, ao inspecionar obras de expansão do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG), apontou incidentalmente suas casas como problema paisagístico. O episódio mostra como a noção de desordem funciona como gramática que naturaliza a exclusão: necessidades de moradia aparecem como ruído, enquanto se toma como ordem a preservação de um cenário que busca recompor a atmosfera do século XVIII – casario colonial emoldurado por encostas verdes. Em chave materialista-dialética, argumenta-se que o bairro não é anomalia, mas produto histórico das contradições entre a reprodução da vida popular e a mercantilização da paisagem. Documentos administrativos, laudos técnicos e registros fundiários permitem discutir como normas e planos não enfrentam essas contradições, limitando-se a administrá-las e reforçando hierarquias urbanas que a Vila torna visíveis.