Este texto tem como objetivo analisar criticamente a construção narrativa da paisagem cultural brasileira através de dois elementos recorrentes em sua composição, as palmeiras e o arvoredo, tramada pela literatura, artes plásticas, arquitetura e história. Narrativas que insistem em apreender a paisagem geográfica, social e cultural brasileira pelos contrastes e ambivalências da “linha reta, dura, inflexível” e da “curva livre e sensual”: contrastes que sugerem não apenas escolhas estéticas, mas projetos políticos e ideológicos de ordenamento territorial e construção identitária nacional. Para tanto, exploramos o universo simbólico de construção da paisagem: uma forma histórica que supõe processos de identificação, recortes, enquadramentos e (re)agrupamentos de elementos naturais e culturais enquanto campo de disputas narrativas e territoriais, onde se inscrevem memórias, esquecimentos, voluntários e involuntários, conivências e resistências.