Este artigo investiga como narrativas imagéticas não-ficcionais podem funcionar como iniciativas afrofuturistas no audiovisual brasileiro ao reorganizarem regimes de visibilidade, endereçamento e reconhecimento. Tomando o canal Trace Brasil como estudo de caso, propõe-se o conceito de humanidade visual para nomear um regime de imagens que restitui complexidade, interioridade, afetos, contradições e horizontes de futuro a sujeitos negros, deslocando a negritude do lugar histórico de objeto de captura e de estereótipos na televisão hegemônica. Ancorado nos debates sobre comunicação, consumo, representação e cidadania, o texto argumenta que consumir imagens é disputar temporalidade e estatuto de humano, e que o Afrofuturismo pode ser lido para além da ficção, como prática situada no presente que repara imaginários e projeta possibilidades. Metodologicamente, realiza-se uma análise qualitativa interpretativa, com leitura audiovisual-discursiva, mobilizando categorias como regime de endereçamento, política de presença, repertórios de humanidade, futuridade, legitimação e transcodificação. O corpus reúne dois conteúdos de 2022, o episódio 49 da quarta temporada de Trace Trends e a cobertura de bastidores do especial Humor Negro. Os resultados indicam que a Trace Brasil sustenta presenças negras em chave afirmativa, normaliza o cotidiano sem centralizar o racismo como eixo narrativo e produz futuridade por meio de repertórios de alegria, trabalho, saúde, criação e celebração, evidenciando uma disputa estética e política pelo direito de aparecer e de existir no tempo.
This article investigates how non-fiction visual narratives can operate as Afrofuturist initiatives in Brazilian audiovisual media by reorganizing regimes of visibility, address, and recognition. This article investigates how non-fiction visual narratives can operate as Afrofuturist initiatives in Brazilian audiovisual media by reorganizing regimes of visibility, address, and recognition. Taking the Trace Brasil channel as acase study, it proposes the concept of visual humanity to describe an image regime that restores complexity, interiority, affects, contradictions, and horizons of futurity to Black subjects, displacing Blackness from its historical position as an object of capture and stereotyping within hegemonic television. Grounded in debates on communication, consumption, representation, and citizenship, the text argues that consuming images is a way of contesting temporality and the status of the human, and that afrofuturism can be read beyond fiction as a present-situated practice that repairs imaginaries and projects possibilities. Methodologically, the study conducts a qualitative interpretive analysis through an audiovisual-discursive reading, mobilizing categories such as regimes of address, politics of presence, repertoires of humanity, futurity, legitimation, and transcoding. The corpus comprises two 2022 items: episode 49 of the fourth season of Trace Trends and the behind-the-scenes coverage of the comedy special Humor Negro. The findings indicate that Trace Brasil sustains Black presence in an affirmative key, normalizes everyday life without centering racism as the narrative axis, and produces futurity through repertoires of joy, work, health, creation, and celebration – highlighting an aesthetic and political struggle for the right to appear and to exist in time.