Este artigo investiga a política e as dificuldades da construção da paz no Sudão do Sul, analisando por que ela permanece inatingível, apesar dos compromissos assumidos no âmbito do R-ARCSS. As principais questões examinadas são: (i) por que os acordos de paz assinados até o momento fracassaram; (ii) quais fatores sociopolíticos e econômicos subjacentes contribuem para esses fracassos; e (iii) quais papéis os atores regionais e internacionais desempenharam na promoção ou no impedimento da concretização de uma paz sustentável. Além disso, questiona-se como as iniciativas locais podem apoiar os esforços de paz. Metodologicamente, o artigo adota uma abordagem interpretativa e exploratória, voltada à análise da política e dos desafios da construção da paz no Sudão do Sul. Adicionalmente, emprega uma perspectiva crítica de economia política para aprofundar a compreensão da construção e consolidação da paz no país. Ao aplicar essa abordagem, argumenta-se que os acordos de paz não são ferramentas neutras, mas frequentemente moldados pelos interesses e objetivos das elites políticas. Nesse sentido, o artigo desafia os paradigmas de paz centrados no Estado e nas elites. Sustenta-se que, em vez de abordar as causas profundas do conflito, o processo de paz tem sido dominado por elites e impulsionado por transações. Como resultado, os conflitos são mais frequentemente adiados do que resolvidos — fenômeno descrito como a síndrome da “porta giratória”. Argumenta-se ainda que a resolução de conflitos deve buscar compreender a complexa relação entre paz e poder, ser centrada nas pessoas e abordar questões cruciais relacionadas à transformação política, justiça e legitimidade. Conclui-se que um diálogo nacional é essencial para ampliar a participação e remodelar o espaço político, fomentando uma cultura de paz e governança inclusiva. Sem essa abordagem, a paz permanecerá inatingível, e a promessa de independência seguirá não cumprida.
This paper investigates the politics and difficulties of peacemaking in South Sudan, analysing why it remains elusive despite commitments under the R-ARCSS. The key questions examined are: (i) why have the peace agreements signed so far failed; (ii) what underlying socio-political and economic factors contribute to these failures; and (iii) what roles have regional and international actors played in promoting or hindering the realisation of sustainable peace. Moreover, it asks how locally rooted initiatives can support peace efforts. Methodologically, the paper adopts an interpretive and exploratory approach focused on analysing the politics and challenges of peacemaking in South Sudan. Additionally, it employs a critical political economy perspective to deepen understanding of peacemaking and peacebuilding within the country. By applying this approach, it is argued that peace agreements are not neutral tools but are often shaped by the interests and goals of political elites. In this regard, the paper challenges state-centric and elite-focused paradigms of peace. It is further argued that the peace process has been dominated by elites and driven by transactions rather than addressing the root causes of the conflict. As a result, conflicts are more often postponed than resolved — a phenomenon described as the “revolving-door” syndrome. It is also argued that conflict resolution should seek to understand the complex relationship between peace and power, be people-centred, and tackle crucial issues related to political transformation, justice, and legitimacy. It is concluded that a national dialogue is essential to expand participation and reshape the political space, fostering a culture of peace and inclusive governance. Without such an approach, peace will remain out of reach, and the promise of independence will remain unfulfilled.