A utilização crescente da inteligência artificial (IA) em processos decisórios públicos e privados tem ampliado a necessidade de reflexão jurídica acerca de sua compatibilidade com os direitos fundamentais. Nesse contexto, o presente artigo analisa a aplicação da teoria da ponderação de Robert Alexy ao uso da inteligência artificial, investigando de que modo os princípios da proporcionalidade podem orientar decisões mediadas por sistemas algorítmicos. A partir de uma abordagem jurídico-dogmática e qualitativa, baseada em pesquisa bibliográfica e documental, examinam-se colisões recorrentes entre direitos fundamentais no contexto tecnológico, como privacidade e segurança pública, bem como igualdade e eficiência algorítmica. Sustenta-se que, embora a inteligência artificial possa contribuir para a eficiência e a racionalização de decisões, sua utilização em contextos sensíveis exige supervisão humana e critérios normativos claros, especialmente diante das limitações da automação na realização da ponderação. Conclui-se que a teoria de Alexy oferece parâmetros relevantes para a construção de uma governança jurídica da inteligência artificial compatível com os valores do Estado Democrático de Direito.