As práticas pedagógicas no processo de alfabetização desempenham papel central na formação das crianças, não apenas no desenvolvimento da linguagem escrita, mas também na constituição de identidades e na reprodução ou enfrentamento de desigualdades sociais. O presente artigo tem como objetivo analisar a alfabetização a partir de uma perspectiva antirracista, considerando como as práticas escolares podem contribuir para a construção de identidades positivas e para o combate ao racismo estrutural. Parte-se do pressuposto de que a alfabetização não é um processo neutro, mas atravessado por relações de poder, cultura e linguagem. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, fundamentada em autores como Freire, Soares, Gomes, Munanga e Tfouni, articulando contribuições da educação, da linguística e da sociologia. A análise evidencia que práticas tradicionais de alfabetização, quando descontextualizadas, podem reforçar invisibilizações e desigualdades, especialmente em relação às crianças negras. Defende-se a construção de práticas pedagógicas que valorizem a diversidade linguística e cultural, promovam representatividade e possibilitem o desenvolvimento de uma leitura crítica do mundo. Conclui-se que a alfabetização, quando orientada por princípios antirracistas, constitui ferramenta fundamental para a formação de sujeitos críticos e para a construção de uma educação mais equitativa.