Esta pesquisa examina o Projeto Rede, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, tomando-o como política pública direcionada à consolidação da educação inclusiva no sistema municipal de ensino. O estudo parte da premissa de que o direito à educação somente se concretiza quando são enfrentados os obstáculos que limitam o ingresso, a permanência, a participação, o desenvolvimento e a autonomia dos estudantes público da Educação Especial. Nesse contexto, o Projeto estrutura apoios especializados para estudantes que necessitam de acompanhamento intensivo em demandas relacionadas à locomoção, alimentação, higiene, comunicação e interação social no espaço escolar. A investigação aborda a constituição histórica e os marcos normativos que sustentam essa política, identificando transformações relevantes ao longo de sua implementação. Verifica-se a superação gradual de uma concepção restrita ao cuidado funcional, substituída por uma compreensão alinhada aos pressupostos contemporâneos da inclusão e ao modelo biopsicossocial da deficiência. Assim, a análise desloca-se do déficit individual para as barreiras físicas, comunicacionais, pedagógicas e atitudinais presentes no ambiente educacional. De forma crítica, com a definição de responsabilidades, cooperação entre setores e foco pedagógico nas intervenções, ampliam-se as condições de participação efetiva e de construção progressiva da autonomia do estudante. Os resultados demonstram que o Projeto apresenta relevância concreta na remoção de barreiras e no fortalecimento da escolarização inclusiva. Persistem, desafios ligados à rotatividade de profissionais, incompreensão de funções, fragilidades organizacionais e práticas assistencialistas e capacitistas. Conclui-se que o aprimoramento dessa política exige formação permanente, gestão articulada e compromisso institucional com uma escola democrática e acessível.