Este artigo discute a qualidade dos serviços do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e analisa como as dinâmicas de poder nos territórios influenciam os conceitos e atributos de qualidade. Existem poucas pesquisas sobre qualidade na política de assistência social quando comparada à política de saúde e à educação. Nas normativas, os serviços do CRAS possuem cinco objetivos distintos, porém na prática observam-se outros objetivos, entre os quais a ajuda para todos os tipos de demandas, o que remete a práticas assistencialistas. A abordagem adotada foi interdisciplinar e qualitativa. A pesquisa incluiu entrevistas e questionários aplicados a 45 usuários e 12 trabalhadoras dos CRAS de Alto Paraná, Guairaçá e Terra Rica, municípios da região de Paranavaí (PR). As entrevistas foram analisadas por meio da análise de conteúdo temática. A pesquisa identificou que usuários e trabalhadoras divergiram quanto aos conceitos e atributos de qualidade. Em alguns perfis de usuários, o reconhecimento das contribuições dos serviços do CRAS para a convivência familiar, comunitária e social atingiu 100%. As dinâmicas de poder identificadas concentram-se em atores sociais do cotidiano de usuários e trabalhadoras dos CRAS, como família, igreja e políticos locais, evidenciando que a qualidade dos serviços é socialmente construída e condicionada pelas relações sociais estabelecidas nos territórios.