TRANSCULTURAÇÃO NARRATIVA EM ENCANTARIAS: A LENDA DA NOITE (2005)

v. 3 n. 5 (2022): Missangas: Estudos em Literatura e Linguística

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ISSN: 2763-5279
Editor Chefe: Celso Kallarrari
Início Publicação: 30/07/2022
Periodicidade: Semestral

TRANSCULTURAÇÃO NARRATIVA EM ENCANTARIAS: A LENDA DA NOITE (2005)

Ano: 2022 | Volume: 3 | Número: 5
Autores: M. A. S. Azevedo, M. N. Corrêa
Autor Correspondente: M. A. S. Azevedo | m.adrianalit@gmail.com

Palavras-chave: Transculturação; Narrativas; Quadrinhos; Mãe d’água(Iara).

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

A transculturação neste artigo será pensada para analisar a produção imaginária da imagem e da narrativa da Mãe d’água(Iara) na Revista em quadrinhos Encantarias: a lenda da noite(2005).  Busca-se investigar o cotidiano feminino dos diversos povos autóctones, em consonância com pesquisas bibliográficas sobre relatos de viajantes europeus (Hans Staden, Jean de Lery, Pero Vaz de Caminha), que observaram a cultura indígena na América Latina colonial materializando a produção de imagens estereotipadas no período compreendido pelos séculos XVI e XVII. Essas estão representadas na figura de Iara, em Encantarias: a lenda da noite.Nessa obra, observa-se a produção da imagem de uma mulher baseada na cultura europeia, pois os cronistas poucos se importavam com a cultura das terras conquistadas, observando os povos originários pelo viés europeu. Assim, a narrativa sobre o cotidiano ameríndio são valiosas, mas direcionadas aos interesses da colonização e da conversão ao cristianismo. Tais narrativas representam os índios como selvagem, com costumes bárbaros e incivilizados, como forma de legitimar a conquista da América. Nesse sentido, pretende-se analisar, neste texto , as descrições imaginárias da figura indígena feminina, as quais sofreram influências da tradição religiosa ocidental com valores muito distantes da realidade americana. Para fundamentar minhas reflexões teóricas, tomo como referência o fenômeno da transculturação pensado por cubano Fernando Ortiz, em sua obra Contrapunteo cubano del azúcar del tabaco (1940)[1], e pelo uruguaio Ángel Rama, a partir de sua obra Transculturación narrativa en América Latina (2004).



Resumo Inglês:

The transculturation in this article will be thought to analyze the imaginary production of the image and the narrative of the Mother of water (Iara) in the comic book Encantarias: a lenda da noite (2005). The aim is to investigate the feminine daily life of several native peoples, in line with bibliographic research on the reports of European travellers (Hans Staden, Jean de Lery, Pero Vaz de Caminha), who observed the indigenous culture in colonial Latin America, materialising the production of stereotypical images in the period between the 16th and 17th centuries. These are represented in the figure of Iara, in Encantarias: a lenda da noite. In this work, we observe the production of the image of a woman based on the European culture, because the chroniclers cared little about the culture of the conquered lands, observing the native peoples by the European bias. Thus, the narratives about the Amerindian daily life are valuable, but directed to the interests of colonisation and conversion to Christianity. Such narratives represent the Indians as savages, with barbaric and uncivilized customs, as a way to legitimize the conquest of America. In this sense, this text intends to analyse the imaginary descriptions of the female Indian figure, which were influenced by the Western religious tradition with values very different from the American reality. To base my theoretical reflections, I take as a reference the phenomenon of transculturation thought by the Cuban Fernando Ortiz, in his work Contrapunteo cubano del azúcar del tabaco (1940) , and by the Uruguayan Ángel Rama, from his work Transculturación narrativa en América Latina (2004).