Este artigo examina a trilha sonora como dispositivo de modulação emocional no cinema de animação contemporâneo da Disney, argumentando que o som não apenas intensifica ações visíveis, mas configura um campo acústico de antecipação que torna partilháveis impasses psíquicos ainda não verbalizados. A análise situa-se em produções nas quais o conflito narrativo se desloca do antagonismo externo para tensões identitárias e geracionais inscritas na interioridade das personagens, tendo como corpus Encanto (2021) e Turning Red (2022), selecionados por tematizarem traumas familiares e processos de reconhecimento subjetivo. A investigação articula dois eixos teórico-metodológicos. No plano cognitivo-perceptivo, mobiliza-se o Modelo de Congruência-Associação (Congruence-Association Model) de Annabel J. Cohen e a teoria da expectativa musical de David Huron. No plano interpretativo, recorre-se à tradição psicanalítica para examinar a sonoridade como instância simbólica implicada na constituição da interioridade. A metodologia consiste em análise fílmica comparativa de cenas nas quais procedimentos sonoros organizam a experiência afetiva antes da explicitação verbal do conflito. Conclui-se que a modulação emocional constitui categoria analítica operatória para compreender a centralidade da sonância na organização estética dessas narrativas.
This article examines the soundtrack as a device of emotional modulation in contemporary Disney animated cinema, arguing that sound not only intensifies visible actions but also configures an acoustic field of anticipation that renders still-unverbalized psychic impasses shareable. The analysis focuses on productions in which narrative conflict shifts from external antagonism to identity-based and generational tensions inscribed in the characters' interiority, with a corpus comprising Encanto (2021) and Turning Red (2022), selected for their focus on family trauma and processes of subjective recognition. The study articulates two theoretical and methodological axes. On the cognitive-perceptual level, it draws on Annabel J. Cohen's Congruence-Association Model and David Huron's theory of musical expectation. On the interpretative level, it engages the psychoanalytic tradition to examine sound as a symbolic instance implicated in the constitution of interiority. The methodology consists of a comparative film analysis of scenes in which sonic procedures organize the affective experience prior to the verbal articulation of conflict. The article concludes that emotional modulation operates as an analytical category capable of elucidating the centrality of sound in the aesthetic organization of these narratives.
Este artículo examina la banda sonora como dispositivo de modulación emocional en el cine de animación contemporáneo de Disney, argumentando que el sonido no solo intensifica acciones visibles, sino que configura un campo acústico de anticipación que vuelve compartibles impasses psíquicos aún no verbalizados. El análisis se sitúa en producciones en las que el conflicto narrativo se desplaza del antagonismo externo hacia tensiones identitarias y generacionales inscritas en la interioridad de los personajes, con un corpus compuesto por Encanto (2021) y Turning Red (2022), seleccionadas por abordar traumas familiares y procesos de reconocimiento subjetivo. La investigación articula dos ejes teórico-metodológicos. En el plano cognitivo-perceptivo, se moviliza el Modelo de Congruencia-Asociación (Congruence-Association Model) de Annabel J. Cohen y la teoría de la expectativa musical de David Huron. En el plano interpretativo, se recurre a la tradición psicoanalítica para examinar el sonido como instancia simbólica implicada en la constitución de la interioridad. La metodología consiste en un análisis fílmico comparativo de escenas en las que procedimientos sonoros organizan la experiencia afectiva antes de la explicitación verbal del conflicto. Se concluye que la modulación emocional constituye una categoría analítica operativa para comprender la centralidad del sonido en la organización estética de estas narrativas.