Este artigo analisa a valorização da africanidade na Educação Infantil como fundamento para a construção da identidade, do pertencimento e da formação cidadã na primeira infância. De natureza qualitativa e teórico-bibliográfica, a pesquisa discute o papel da escola na promoção de práticas pedagógicas antirracistas, destacando a importância da representatividade, da cultura afro-brasileira e da inserção contínua das relações étnico-raciais no cotidiano educativo. Parte-se do pressuposto de que a infância é etapa decisiva na formação da autoimagem e das referências culturais da criança, sendo o ambiente escolar um espaço estratégico para a consolidação de valores como respeito, equidade e reconhecimento da diversidade. Assim, a integração da história e da cultura africana e afro-brasileira ao currículo contribui para o fortalecimento da autoestima das crianças negras e para a ampliação do repertório cultural de todas as crianças. Ao problematizar práticas pedagógicas que ainda tratam a temática de forma pontual ou superficial, o estudo propõe uma reflexão crítica acerca da responsabilidade social da Educação Infantil na superação do racismo estrutural. Defende-se que a valorização da africanidade, quando incorporada de maneira intencional e permanente, constitui um caminho para a construção de uma educação inclusiva, democrática e socialmente comprometida.