O presente artigo analisa o fenômeno de apropriação da música caipira pelo sertanejo universitário no contexto do neoliberalismo brasileiro, com ênfase na sua relação com o agronegócio e o conceito de mais-valia ideológica. Argumenta-se que o sertanejo universitário, ao se tornar a trilha sonora do agronegócio, opera uma ressignificação e esvaziamento dos elementos tradicionais da cultura caipira, transformando-os em mercadorias culturais que legitimam um projeto de poder econômico e político. A análise se debruça sobre as transformações estéticas e discursivas que marcam a passagem da música de raiz para o seu subproduto massificado, demonstrando como a indústria cultural se apropria de signos de tradição para a produção de um consenso em torno de valores neoliberais (ADORNO; HORKHEIMER, 1985; ORTIZ, 1994; ALMEIDA, 2015).